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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Mães de Bragança

Há anos as mães de Bragança por causa de umas meninas atrevidas que punham em risco os bons costumes e a unidade familiar puseram em pé de guerra a pacata cidade transmontana. Segundo os relatos da época, umas meninas de vida fácil estariam a desviar os pais e também maridos da sua tradicional missão de exemplos de bom comportamento para as gerações vindouras.



Essa, pelos vistos, justa luta das abnegadas mães, parece ter dado bons frutos. Alguns anos depois, salva a moral e retornados os desviantes pais de uma vida pecaminosa, Bragança surge nos ecrãs televisivos como um exemplo de sucesso. Seis meninas de uma turma do 12.º ano entraram no Curso de Medicina com médias superiores a dezanove, fruto sem dúvida, segundo os testemunhos, de muito empenho, dedicação, esforço, entreajuda e solidariedade, para além das capacidades intrínsecas

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Estas meninas,futuras médicas, futuras mães, são um exemplo de que no interior deste rectângulo europeu existem mais- valias e massa critica como costumam dizer os entendidos. É a melhor prova de que não é fechando escolas nos meios rurais ou criando mega agrupamentos que se aproveitam as sinergias existentes. Não é pondo toda a população à beira mar que se constrói um pais equilibrado. Esta básica capacidade de percepção parece não residir infelizmente na mente da classe política que nos desgoverna. Tenhamos esperança que estas meninas de Bragança ou de outros locais perdidos, consigam mudar este país e renovar as mentalidades, para que haja igualdade entre todos ,incluindo as cidadãs escorraçadas em nome dos bons costumes. Bons costumes são o respeito pelas diferenças e pela liberdade de cada um. E ressalvando a exploração imanente, sempre condenável, essa liberdade tem de ser um valor universal. Em Bragança ou em Cabul.

Mateus

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